“Perdas Humanas”: exposição abre semana em memória às vítimas do Comurba

Perdas Humanas

A História do Edifício Luiz de Queiroz

O Edifício Luiz de Queiroz, conhecido popularmente como Comurba, foi inaugurado na década de 1960 e rapidamente se tornou um marco na cidade de Piracicaba, São Paulo. Sua estrutura imponente refletia a modernidade do período e a prosperidade da região. Contudo, essa imagem de grandeza foi abruptamente abalada em 6 de novembro de 1964, quando o prédio desabou, resultando em uma das maiores tragédias da história da cidade, com 48 vidas perdidas.

O Comurba era, na época, um centro de negócios e serviços, atraindo diversos trabalhadores e cidadãos. Entretanto, uma série de falhas estruturais e a falta de manutenção adequada contribuíram para o colapso do edifício. Essa tragédia impactou profundamente a comunidade local, deixando não apenas um legado de dor, mas também a urgência de discutir questões de segurança nas construções urbanas.

O legado do Comurba se estende além da sua estrutura física, pois sua queda trouxe à tona discussões cruciais sobre a importância de manter e legislar a segurança nas edificações, um debate que se mostra relevante até os dias de hoje. Com a lembrança dessa tragédia, a cidade começou a desenvolver leis e regulamentos que visam garantir a segurança das edificações e um desenvolvimento urbano mais seguro.

Inscrições e Horários da Exposição

A exposição “Perdas Humanas” foi inaugurada no dia 3 de novembro de 2025, no Poupatempo de Piracicaba, e ficará aberta ao público até o dia 6 de dezembro do mesmo ano. A exposição pode ser visitada durante os horários de funcionamento do Poupatempo, que são de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

As inscrições para participar da Roda de Conversa, que acontecerá em paralelo à exposição, estão disponíveis através do site da Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Piracicaba. O evento visa promover discussões abertas sobre a tragédia do Comurba e seu impacto na sociedade. As inscrições são gratuitas, permitindo que todos tenham acesso a esse importante espaço de reflexão e memória.

Além das visitas à exposição, o público é incentivado a participar de outras atividades que fazem parte da Semana em Memória das Vítimas do Edifício Luiz de Queiroz, contribuindo assim para a preservação da memória coletiva e o diálogo sobre segurança e prevenção em edificações.

Importância da Memória Coletiva

A memória coletiva desempenha um papel fundamental na construção da identidade de uma sociedade. No caso da tragédia do Edifício Luiz de Queiroz, é essencial que as novas gerações tenham acesso às histórias e legados deixados pelas vítimas. A exposição “Perdas Humanas” não apenas honrar os mortos, mas também instiga a reflexão sobre a segurança nas construções e a importância de um compromisso coletivo com a prevenção de desastres.

Preservar a memória da tragédia também permite que os cidadãos entendam a importância da segurança no ambiente urbano, além de instigar debates necessários sobre como criar um espaço social mais seguro e humano. A exposição oferece um meio para que as vozes das vítimas e seus familiares possam ser ouvidas, contribuindo assim para um processo de ressignificação do luto e da dor enfrentados pelas famílias que perderam entes queridos.

Depoimentos de Familiares

Os depoimentos dos familiares das vítimas do desabamento do Comurba são uma parte crucial da exposição. Eles trazem à luz as histórias pessoais de cada uma das vítimas, humanizando números e estatísticas frequentemente frios e distantes. O luto não é apenas um processo individual, mas um fenômeno que afeta toda uma comunidade.

Cláudio José de Oliveira Campos exemplifica a luta familiar. Ele tinha apenas 10 meses quando seu pai, Lázaro de Oliveira Campos, perdeu a vida no desabamento do edifício. Seus relatos são marcados pela dor da ausência, mas também pela força da memória que preserva a história do pai e das mais de 40 vidas que foram tragadas pela tragédia. Ele enfatiza a importância de não deixar os nomes dessas pessoas caírem no esquecimento e como cada um deles tinha sonhos, histórias e legados que nunca poderão ser esquecidos.

Esses testemunhos são fundamentais para o fortalecimento do laço comunitário e para a lembrança das vulnerabilidades enfrentadas em situações de risco. Através desses relatos, os visitantes da exposição são convidados a refletir sobre a fragilidade da vida e a importância da solidariedade na superação de tragédias.

A Contribuição do Grupo ECO 64

O grupo ECO 64, formado por familiares das vítimas do desabamento do Edifício Luiz de Queiroz, é um exemplo inspirador de como a dor pode ser transformada em luta pela memória e pela justiça. Com o objetivo de reverberar as vozes daqueles que perderam os seus entes queridos, o grupo tem promovido encontros e estudos que visam resgatar a história do Comurba.

Eduardo Nalin, psicólogo e um dos organizadores da exposição, faz parte deste grupo e tem trabalhado incansavelmente para coletar informações e depoimentos que ajudem a contar a história do desastre. Seu trabalho não apenas se propõe a lembrar as vítimas, mas também educar a população sobre a importância de garantir condições seguras em edificações. Através de suas reuniões quinzenais, o grupo busca criar um espaço de acolhimento e apoio mútuo entre os familiares, permitindo que a dor seja compartilhada e transformada em ação coletiva.

Programação da Semana em Memória

A programação da Semana em Memória das Vítimas do Edifício Luiz de Queiroz é rica e variada. Além da exposição, estão previstas atividades como rodas de conversa e exibições de entrevistas e documentários sobre a tragédia e seus impactos. Em especial, a Roda de Conversa, promovida pela Escola do Legislativo, é um espaço para discussão aberta, reflexão e aprendizado mútuo.

As atividades foram pensadas para engajar a comunidade, encorajando a participação ativa dos cidadãos. O evento oferece um espaço seguro onde as pessoas podem compartilhar suas histórias e sentimentos, contribuindo para um ambiente de empatia e solidariedade. No final da semana, a visita guiada ao Cemitério Saudade se propõe a fechar o ciclo de lembranças, permitindo que os participantes coloquem flores e homenagens nos túmulos das vítimas, um gesto de respeito e lembrança.

Impacto da Tragédia em Piracicaba

A tragédia do Comurba não apenas levou 48 vidas, mas também deixou marcas profundas na coletiva de Piracicaba. As discussões sobre segurança em edificações ganharam destaque, e a cidade começou a rever seus códigos de construção e regulamentações para evitar que tragédias como essa se repetissem. A vontade coletiva de resgatar a memória das vítimas traz à tona uma reflexão necessária sobre a responsabilidade social na construção civil e o papel dos governantes na saúde e segurança da população.

A tragédia também serviu como um alerta para as autoridades locais sobre a importância de fiscalizações rigorosas nas construções, além da necessidade de um planejamento urbano eficaz. Com o passar do tempo, ficou claro que a construção civil deveria ser uma prioridade nas políticas de segurança pública, visando garantir a proteção dos cidadãos e suas famílias.

Como Participar da Roda de Conversa

Para participar da Roda de Conversa “Comurba – Perdas Humanas”, os interessados devem realizar a inscrição através do site da Escola do Legislativo. A roda de conversa propõe um ambiente acolhedor onde a comunidade pode expor suas experiências, discutir as lições aprendidas com a tragédia e debater sobre as melhores formas de impedir que incidents semelhantes ocorram no futuro.

A participação é gratuita, e não é necessário ter qualquer vínculo familiar com as vítimas para comparecer. Todos são bem-vindos a contribuir com suas opiniões e reflexões, enriquecendo assim o diálogo sobre a memória coletiva e a segurança nas edificações.

A Função do Memorial às Vítimas

Juntamente à exposição e às atividades da semana, a proposta de um memorial dedicado às vítimas do Edifício Luiz de Queiroz foi formalizada por meio da Lei 10.191, de 8 de novembro de 2024. O memorial será um espaço de respeito e recordação, visando eternizar a memória das pessoas que perderam suas vidas na tragédia e educar a sociedade sobre a importância da segurança nas construções.

Este memorial funcionará não apenas como um ponto de referência, mas também como um local de conscientização, promovendo discussões continuadas sobre segurança e prevenção. A construção está sendo planejada também com a participação de familiares e cidadãos, garantindo que a memória e as histórias das vítimas sejam respeitadas e devidamente homenageadas.

Reflexões sobre Perdas e Superação

A tragédia do Comurba, além de ser um evento doloroso para a cidade de Piracicaba, nos convida a refletir sobre as múltiplas dimensões da perda e a importância da superação. Ninguém está preparado para perder um ente querido de maneira tão abrupta e trágica, e neste contexto, a exposição e as atividades da Semana em Memória oferecem um espaço para que as pessoas possam confrontar sua dor e encontrar um caminho de resiliência.

O exercício de lembrar e homenagear aqueles que se foram pode ser um poderoso passo no processo de luto. Para muitos, participar das atividades significa não apenas resgatar memórias, mas também encontrar formas de extrair significado das tragédias. A coletividade, o diálogo e a memória podem ser alicerces que ajudam a solidificar um futuro mais seguro, em memória daquelas vidas tão precocemente interrompidas.

Por meio de tudo isso, a cidade de Piracicaba demonstra que, mesmo em meio ao luto, é possível criar espaços de esperança e aprendizado para todos, garantindo que as lições do passado não sejam esquecidas e que a segurança dos cidadãos continue sendo uma prioridade.